Festival Varilux de Cinema Francês 2023: conheça os títulos confirmados

por: Cinevitor
Léa Drucker em Culpa e Desejo, de Catherine Breillat

A 14ª edição do Festival Varilux de Cinema Francês, que acontecerá entre os dias 9 e 22 de novembro, chega com filmes premiados em festivais mundo afora e aplaudidos por público e crítica. A filmografia francesa recente ocupará os cinemas do norte ao sul do país, nas capitais e cidades de maior e menor porte.

Considerado o maior evento com exibição de obras nesta língua fora da França e com mais de 1 milhão de espectadores desde sua criação, esta edição traz 19 longas-metragens, dois clássicos e uma série sobre Brigitte Bardot, uma das principais divas do cinema mundial.

“O festival Varilux continua sendo a ferramenta mais estratégica para manter viva a paixão do público brasileiro pelos filmes franceses. Os espectadores sempre receberam com entusiasmo nossa programação e aguardam com ansiedade as datas do festival. O papel do Varilux é promover o cinema francês em todo o país e apoiar o trabalho dos distribuidores locais. A queda na audiência média das produções brasileiras e estrangeiras nos cinemas é estimada em 80% em 2023. Todos nós, que atuamos no audiovisual, trabalhamos para reverter esses números”, enfatizam os diretores e curadores do festival, Christian e Emmanuelle Boudier.

O Festival Varilux 2023 tem filmes para todos os gostos: animação, drama, comédia, suspense e romance. A programação traz películas recentes, a maioria inédita no país, que integraram e foram premiadas em festivais como Cannes, Toronto e Biarritz. Ícone do cinema francês, a atriz Brigitte Bardot inspira essa edição que exibe dois clássicos nos quais foi protagonista: E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim, e O Desprezo, de Jean-Luc Godard, além de Brigitte Bardot, minissérie biográfica em seis episódios protagonizada pela jovem atriz franco-argentina Julia de Nunez. A produção será exibida em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Assim como em outras edições, uma delegação artística, formada por diretores e atores franceses, estará presente nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro para participar de debates com o público em algumas sessões. Entre os convidados estão a jovem atriz Julia de Nunez, que vem falar sobre seu papel em Brigitte Bardot, série biográfica de grande sucesso na TV francesa sobre a musa do cinema francês. Também ator, Stefan Crepon, indicado ao César de melhor ator revelação pela atuação em Peter Von Kant, de François Ozon, exibido no ano passado, estará ao lado do diretor Cédric Kahn; eles vão apresentar o drama Making Of. Premiado, Kahn já dirigiu astros do cinema francês, entre eles, Catherine Deneuve, Vincent Macaigne e Emmanuelle Bercot.

Cena do premiado longa As Bestas, de Rodrigo Sorogoyen

Com 37 anos de experiência no mercado audiovisual, o diretor Bruno Chiche vem apresentar o longa Maestro(s). Já a diretora Anna Novion traz o drama O Desafio de Marguerite, exibido na mostra Sessões Especiais do Festival de Cannes deste ano e destaque da 1ª edição do Festival Internacional de Cinema de Biarritz. Outra convidada, Baya Kasmi mostrará a comédia O Livro da Discórdia; a diretora e roteirista já conquistou o César de melhor roteiro original por um filme inspirado em sua própria vida.

Diretor de O Renascimento, Rémi Bezançon também integra a delegação. Ele já marcou presença no festival, em 2019, através do filme O Mistério de Henri Pick, com Fabrice Luchini e Camille Cottin. Com vários prêmios por sua trajetória profissional, Nicolas Giraud traz O Astronauta, produção da qual é diretor e ator.

Entre as produções, destaque para a Palma de Ouro no último Festival de Cannes, Anatomia de uma Queda (Anatomie d’une chute), de Justine Triet. Aclamado pela crítica, o longa mostra a investigação de uma morte em circunstâncias suspeitas e tem como protagonista a consagrada atriz Sandra Hüller. Já Making Of, de Cédric Kahn, conta uma filmagem que sai dos trilhos, cheia de ideias, sentimentos e surpresas. No elenco, os atores Jonathan Cohen, Denis Podalydès e Stefan Crepon. Graças ao festival, o filme poderá ser assistido no Brasil antes da França, onde está programado somente para janeiro de 2024.

No papel de um casal que se muda para uma aldeia galega para se conectar à natureza, os franceses Denis Ménochet Marina Foïs protagonizam As Bestas, sob a direção do espanhol Rodrigo Sorogoyen; o longa foi exibido no Festival de Cannes fora de competição, premiado no Festival de San Sebastián e consagrado no Prêmio Goya com nove estatuetas.

O drama Culpa e Desejo (L’été dernier), que disputou a Palma de Ouro este ano, marca o retorno de Catherine Breillat após uma pausa de dez anos na direção (seu filme anterior, Uma Relação Delicada, com Isabelle Huppert, foi realizado em 2013. O drama conta com Léa Drucker no papel principal e a trama mergulha na intimidade provocante e erótica, tendo como pano de fundo um escândalo familiar.

Virginie Efira no longa Memórias de Paris

Terceiro longa-metragem de Anna Novion, O Desafio de Marguerite (Le Théorème de Marguerite) foi exibido fora de competição no Festival de Cannes e também foi destaque na 1ª edição do Festival Internacional de Cinema de Biarritz. Estrelado por Ella Rumpf, acompanha a saga de uma jovem que atua na matemática de alto nível, mas decide dar uma guinada e começar tudo de novo.

A seleção continua com: A Musa de Bonnard (Bonnard, Pierre et Marthe), de Martin Provost, que narra a vida do pintor francês Pierre Bonnard e de sua esposa, Marthe de Méligny, ao longo de cinco décadas, com Vincent Macaigne e Cécile de France nos papeís principais. Estrelado por Benjamin Voisin, que integrou a delegação artística do festival em 2021 com Ilusões Perdidas, o drama Almas Gêmeas (Les âmes soeurs), de André Téchiné, acompanha a recuperação de um tenente francês, sob a cuidadosa vigilância de sua preocupada irmã Jeanne. Mas, estranhamente, ele não parece muito ansioso para se reconciliar com quem era.

Sob a direção de Christian Carion, Conduzindo Madeleine (Une belle course) acompanha todo o envolvimento emocional de um taxista, um tanto desiludido, ao conhecer uma idosa durante uma viagem. Em 2022, o longa abriu o Festival de Cinema Francófono de Angoulême e esteve no Festival de Toronto. Realizador de sucessos da cinematografia contemporânea, com longas indicados a vários prêmios César, o diretor Emmanuel Mouret marca presença no evento com Crônica de uma Relação Passageira (Chroniques d’une liaison passagère), exibido fora de competição em Cannes e que recebeu críticas entusiastas da mídia especializada, desde sua estreia no mercado europeu.

Estrelado por Karin Viard, que já esteve muitas vezes em cartaz no Varilux ao longo de outras edições, o drama Disfarce Divino (Magnificat), de Virginie Sauveur, narra a saga de Charlotte que, após descobrir que o falecido padre da paróquia, na verdade era uma mulher e praticava sua vocação por anos sem que ninguém suspeitasse, decide iniciar uma investigação em meio à comunidade. Com direção de Bruno Chiche, os atores Pierre Arditi e Yvan Attal atuam juntos em Maestro(s), interpretando pai e filho. São dois talentos da música clássica no cenário francês contemporâneo, mas que se encontram em uma situação delicada e precisam resolver um impasse.

Oscar Miller no filme Orlando, Minha Biografia Política

Em tempos difíceis de guerra, Memórias de Paris (Revoir Paris) mergulha no mundo dos sobreviventes de um ataque terrorista em um bistrô parisiense e a sua luta para reconstruir a sua existência e enfrentar novamente a vida cotidiana. O longa conta com a atuação dos astros Virginie Efira e Benoît Magimel e direção de Alice Winocour, que faz sua estreia no Varilux. Remake de O Brinquedo, comédia francesa de 1976, o longa Meu Novo Brinquedo (Le Nouveau Jouet), dirigido por James Huth, traz Daniel Auteuil na pele do homem mais rico da França que, ao abrir a seção de brinquedos de sua loja, comunica ao seu mimado filho que ele pode escolher o que mais desejar como presente de aniversário. E o garoto escolhe como seu novo brinquedo Samy, interpretado pelo famoso cômico francês Jamel Debbouze, o vigia da loja.

O Astronauta (L’astronaute), novo filme de Nicolas Giraud, dá aos espectadores uma tentadora visão interna sobre a indústria espacial. Além da direção, Giraud também interpreta o personagem central, um engenheiro de aeronáutica que se dedica por anos a um projeto secreto. Com direção de Baya Kasmi, na comédia O Livro da Discórdia (Youssef Salem a du succès), Youssef Salem escreve um romance parcialmente autobiográfico inspirado em sua juventude e, em particular, nos tabus que rodeiam a sexualidade no ambiente onde cresceu. Porém, o livro causa uma certa tensão familiar e ele precisará manter a união de todos.

O longa O Renascimento (Un coup de maître), do cineasta Rémi Bezançon, apresenta uma história de amizade pouco comum e cheia de reviravoltas entre um pintor em plena crise existencial e um galerista; dois homens que sempre foram amigos e que, apesar de todos os contratempos, são unidos pelo amor à arte. Depois de conquistar o Teddy Award no Festival de Berlim e o Prêmio Especial do Júri da mostra Encounters, Orlando, Minha Biografia Política, de Paul B. Preciado, integra esta edição. O filme é uma adaptação de uma das obras mais conceituadas da escritora Virginia Woolf, Orlando, de 1928. Essa mistura de documentário com ficção convoca um teste de elenco de 25 pessoas, todas trans e não binárias, para interpretar a personagem fictícia de Woolf, enquanto narram as suas próprias vidas.

Com direção de Sébastien Tulard, a comédia Sob as Estrelas (A la belle étoile) acompanha a saga de Yazid, menino do subúrbio, cujo maior sonho é trabalhar com os maiores confeiteiros e se tornar o melhor. A animação A Viagem de Ernesto e Celestine (Ernest et Célestine, le voyage en Charabie), codirigida por Julien Chheng e Jean-Christophe Roger, traz as aventuras do ratinho e do urso músicos, desta vez num mundo onde todas as formas de música, e com ela a felicidade, foram proibidas há muitos anos.

Nicolas Giraud e Mathieu Kassovitz em O Astronauta

Inspiração da edição 2023 do festival e uma das mais aclamadas atrizes do cinema francês, Brigitte Bardot será reverenciada nos dois clássicos exibidos que são protagonizados por ela. E Deus Criou a Mulher (Et Dieu… créa la femme), com filmagens em 1956, sob a direção de Roger Vadim, na época casado com a atriz, que iniciava sua carreira emblemática e tornou-se um mito e um símbolo sexual global; uma estrela mediática, um emblema da emancipação das mulheres. Uma jovem que é ao mesmo tempo modelo e demônio, uma ingênua livre e provocadora, um símbolo de feminilidade e da liberdade sexual.

E O Desprezo (Le mépris), de Jean-Luc Godard, drama de 1963, filme francês com a sétima maior bilheteria daquele ano, sendo recorde do próprio diretor. E, aclamado pela crítica e considerado um dos melhores filmes de Godard e da Nouvelle Vague, é então considerado um clássico devido às suas repercussões no âmbito do audiovisual e no cenário político, em sua época de lançamento até os dias de hoje. A exibição dos clássicos se dará em algumas cidades.

O festival exibirá ainda Brigitte Bardot, série inédita no país com seis episódios de 52 minutos que narram a ascensão da atriz na França do pós-guerra, entre 1949 e 1959; dos seus 15 até os 25, desde a sua educação rigorosa até quando se transforma numa femme fatale, rumo ao estrelato internacional. Codirigida por Danièle e Chistopher Thompson, a produção estreou com sucesso na TV francesa em 2023 e um dos destaques foi a caracterização de Julia de Nuniz por sua semelhança com Bardot. O elenco principal conta ainda com Victor Belmondo, Hippolyte Girardot e Géraldine Pailhas.

Para esta edição, até então, 50 cidades e 94 cinemas participantes estavam confirmadas. A lista será continuamente atualizada no site do festival; o valor do ingresso será o já cobrado por cada exibidor.

Fotos: Lucia Faraig/StephanieBranchu/Nord-Ouest Films/Divulgação.

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